“As promoções vieram para ficar”

Tendências. Os portugueses são os europeus que mais arroz consomem. Setor quer aproveitar a predisposição para promover o carolino

Os hábitos dos consumidores portugueses alteraram-se significativamente no decurso da crise financeira e mantiveram-se. Hoje 44% dos produtos mais vendidos, ou seja, quase metade  são comprados em promoção.
Os dados são avançados pela diretora-geral da APED, Ana Isabel Trigo de Morais, que não hesita em dizer que “as promoções vieram para ficar”, até porque os consumidores habituaram-se a comprar os produtos com descontosn e estão dispostos a esperar por eles.
“Depois de anos muito difíceis para as famílias, os consumidores estão hoje mais atentos e inteligentes e o fator preço joga um papel cada vez mais decisivo”, alerta.
Gerir a oportunuidade das promoções é também, por essa razão,  parte da estratégia do setor do arroz. “Hoje vive-se muito das promoções. Se houver um maior esforço de promoções concentrado no arroz carolino o seu consumo também deverá aumentar”, prevê António Valente Marques, do Arroz Caçarola.
O empresário de OLiveira de Azeméis assume que “estamos ainda a viver uma época difícil e o consumidor opta pelo produto mais barato”.
O fato de o arroz carolino produzido em Portugal ter, em regra, um custo de produção 15 cêntimos mais alto do que outras variedades importadas é uma desvantagem concorrencial, que o setor espera agora inverter com o desenvolvimento de novas sementes que prometem maior produtividade por hectare.
Para além da campanha promocional que o setor está em vias de dinamizar , em torno do arroz carolino, a diretora-geral da APED, defende que essa aposta seja também potenciada junto do setor da hotelaria e turismo.
“A gastronomia é um dos fatores mais importantes na atração de turistas para Portugal e é uma oportunidade aproveitar o crescimento ímpar do turismo para induzir o arroz típico português”, considera Ana Isabel Trigo de Morais.
Aquela responsável lembrou, a propósito, a existência de um protocolo entre o Governo e a Casa do Arroz, no âmbito do programa “Portugal sou eu”, para apoiar a divulgação do arroz nacional. “A APED representa a grande distribuião, mas também a pequena e a média distribuição”, disse.