Faltam técnicos especializados

Ensino CAP propõe que universidades criem cursos de acordo com a especificidade agrícola das regiões para colmatar falta de técnicos

Não é fácil encontrar técnicos agrícolas preparados em Portugal”, observou Javier Parladé, administrador do Grupo Rabala. O empresário considera que o país deveria apostar numa formação técnica agrícola mais especializada e fazer disso uma prioridade.
O empresário espanhol acrescenta que, apesar de Portugal ter muito bons técnicos de azeite, dos melhores, “os que querem ser bons têm de ir a Espanha à Universidade de Córdoba”.
O desafio lançado por Javier Parladé encontra eco junto da Confederação dos Agricultores de Portugal. Eduardo Oliveira e Sousa reconhece que, não obstante existirem universidades como as de Évora e várias escolas agrícolas, “o sistema de ensino não reage à velocidade que gostaríamos”.
Por isso, o presidente da CAP disse que tem o objetivo de incentivar as universidades a criar polos de especificidade. “Gostaríamos de que as universidades criassem cursos especializados de acordo com o perfil das suas regiões.” E questiona: “Quem quer saber de vinhos vai a Bordéus ou à Austrália, mas quem quer saber de azeite em Portugal onde vai?”
Por outro lado, aquele responsável considera que a questão da formação não deixa de estar relacionada com a lei da oferta e da procura. Daí que considere muito importante os jovens terem acesso a informação sobre as potencialidades do investimento na agricultura e que possam olhar para o setor de outra maneira.
A falta de técnicos especializados é, aliás, uma das razões que faz que Javier Parladé ainda não se tenha decidido por abandonar a monocultura do olival intensivo e diversificar para os frutos secos. Isto apesar de estarem a apostar numa nova área de regadio junto a Aviz, muito boa para olival e frutos secos. “Tenho um pouco de medo, porque não há técnicos tão bons nesta área como se encontra no azeite.”
Para o empresário Miguel Castelo Branco, à frente da Herdade do Paço do Conde, com uma faturação que se aproxima dos 10 milhões de euros, não há dúvidas de que “a gente jovem acredita na agricultura”.
“Há muitos jovens que veem neste setor uma oportunidade de desenvolvimento e satisfação profissional”, assevera.