Girassol mais rentável atrai mais produtores

Conjuntura. Oleaginosas estão em expansão, ocupando  já mais de 40 mil hectares. Rentabilidade superior à dos cereais reflete-se no aumento da produção de óleos e farinhas

Como é que em três a

nos se passa quase do zero para uma produção estimada de 25  mil toneladas de girassol e de 12 mil toneladas de colza? Os produtores destas culturas são unânimes em reconhecer que o “milagre” das oleaginosas em Portugal se deve aos contratos plurianuais que a Sovena começou a fazer com os agricultores, garantindo a compra a um preço praticamente fixo.
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Oleaginosas, Cereais e Protaginosas (ANPOC), José Palha, reconhece que os contratos de três anos a preço garantido estabelecidos com a Sovena oferecem uma segurança que está a canalizar cada vez mais agricultores para estas culturas, que já ocupam cerca de 40 mil hectares. As oleaginosas estiveram em foco esta terça-feira  em mais uma edição das “conversas soltas” no âmbito da iniciativa do Banco Popular Economia Ibérica, em parceria com o Global Media Group.
“As oleaginosas estão a afirmar-se como uma cultura alternativa interessante”, tendo sobretudo em conta a baixa de preços que se verifica no mercado mundial dos cereais e também a falta de água em ano de seca, defende o presidente da ANPOC e produtor de cereais e oleaginosas.
Com rentabilidades “confortáveis” que, no regadio, podem rondar os 800 euros por hectare, José Palha afirmou que “os produtores vão continuar a apostar mais no girassol, acreditando que esta cultura tem tudo para crescer”.
Também o empresário da Agro Vale Longo ,Joaquim Banza, destaca as vantagens do girassol e da colza,  como alternativa às culturas de primavera que consomem mais água, como , por exemplo, o milho. “Com a rotatividade, esta aposta permite-nos fazer duas culturas por ano,melhorando claramente a rentabilidade”, diz.
Representando a Sovena, a diretora de operações, Teresa Abecasis, observa que a empresa do grupo Nutrinveste lidera nas oleaginosas a nível ibérico, tendo a fábrica mais competitiva para a transformação de girassol e colza. Aquela responsável refere que, apesar de ser um segmento menos conhecido da Sovena – com maior notoriedade nos azeites – “é uma área de negócio que cria muito valor em Portugal, não só transformando as sementes em óleos alimentares e biodiesel como criando um subproduto muito importante, as farinhas para as rações, com papel relevante na cadeia animal e, indiretamente, na nossa alimentação”.
Segundo Teresa Abecasis, sem esta indústria de extração de óleo, não teriamos em Portugal estas farinhas, não criaríamos valor e ter-se-ia de recorrer à importação.
A Sovena é responsável por uma produção anual da ordem das 800 mil toneladas de girassol, cerca de metade das quais produzidas nas suas fábricas de Portugal e Espanha.Após os anos de investimento a partir de 2014, “estamos agora numa fase de consolidação” e muito focados no acesso às sementes para poder continuar a trabalhar.