João Ortigão Costa: “Exportamos para 60 países e crescemos 18% ao ano”

João Ortigão Costa

João Ortigão Costa está à frente do negócio internacional do Sugal Group, que está no top 10 mundial da indústria de concentrado de tomate e que tem na Guloso a sua imagem de marca. A empresa de estrutura familiar, com sede em Benavente,  trilhou a internacionalização há sete anos, primeiro em Espanha e depois no Chile.

A Sugal é uma empresa 100% portuguesa que exporta 95% daquilo que produz. Como chegou até aqui? Quer fazer o retrato deste grupo?
É verdade. O grupo Sugal exporta para 60 países e estima faturar cerca de 280 milhões de euros em 2017, sendo que 60% da faturação é gerada fora de Portugal. O processo de internacionalização começou em 2010 com a aquisição de uma unidade industrial em Espanha. Ao longo deste período aumentámos em dez vezes a capacidade de produção no mercado espanhol. Espanha tem crescido muito mesmo.
Como assim? De que valores falamos?
Passámos de 30 mil toneladas para 300 mil toneladas. E com a particularidade de o que ali produzimos ser maioritariamente para exportação. Depende dos anos, mas cerca de 80 por cento da nossa produção em Espanha é para exportação. A fábrica de Espanha funciona como back up da produção em Portugal.
Para que mercados? Europa?
Muito especialmente para os mercados europeus, mas também para a Rússia, o Japão e o Médio Oriente. São os principais mercados da Sugal Ibéria.
E no Chile? Em que consiste a vossa estratégia neste país sul–americano?
Chegámos ao Chile em 2012. Desde então já realizámos lá investimentos de cerca de 100 milhões de dólares e daí até agora duplicámos a capacidade de produção.
Quantas fábricas têm aí e a que se destinam ?
Temos duas fábricas no Chile, onde ambas fazem concentrado de tomate e também polpa de fruta, nomeadamente pêssego, maçã e pera. Também fazemos polpa com outras frutas mas em menor escala.
E a fruta tem o mesmo peso do tomate?
Não, nada disso. A polpa de fruta representa menos de 20% da nossa faturação no Chile.
A produção no Chile destina-se a abastecer que mercados?
É para abastecer toda a América Latina. Temos todos os mercados regionais. A partir dali exportamos também para a América do Norte, Ásia, Sudoeste Asiático e ainda alguma Europa.
Como se explica a opção pelo Chile?
Uma das vantagens do Chile é que tem acordos comerciais de livre comércio com países que representam quase 90% do PIB mundial. Isso torna-se uma vantagem clara para quem está no mercado da exportação. É competitivo. Por outro lado, há também a considerar a possibilidade de contar com duas safras por ano ao estarmos a operar nos dois hemisférios.
Em termos de estratégia comercial vai haver novos produtos no mercado?
Sim. A equipa de Portugal está a preparar o lançamento de novos produtos de maior valor acrescentado para a marca Guloso. Eu passo pouco tempo cá porque estou essencialmente dedicado à operação internacional, nomeadamente em Espanha, onde tivemos um grande crescimento, razão pela qual não me queria adiantar muito mais sobre essa matéria que está a ser desenvolvida pela restante equipa.
Quando? Até ao verão?
No verão haverá novidades no mercado.
Quais as preocupações do grupo com a sustentabilidade?
Essa preocupação insere-se na nossa política de empresa. Desde as operações agrícolas às comerciais. No caso da marca Guloso tentamos que as embalagens sejam mais amigas do ambiente e também mais simpáticas para o utilizador.
Isso tem um impacto em termos de poupança e na redução da emissão de gases?
Sim, sem dúvida. Há também uma componente de benefício económico, mas o principal é fazer as coisas bem para que todos possam usufruir. Em 2015, investimos cerca de 8 milhões de euros em embalagens Tetra Pak, de cartão, justamente com objetivos ambientais e de eficiência energética. Está a dar os seus resultados também em termos económicos.
Como tem evoluído a faturação?
Muito bem. Desde 1997 a 2017, ou seja, nos últimos 20 anos, tivemos um crescimento médio de 18% ao ano. Este ano vamos conseguir mesmo estar ligeiramente um pouco acima disso.
É muito diferente vender em 60 países de vários continentes? Como adaptam os produtos e estratégias de venda a costumes e gostos tão diversos?
É diferente vender para 60 países, sim, mas a maior exigência é, sobretudo, vender em função das características de cada cliente, porque cada um tem especificações únicas. É-nos dado um target para produzir um produto com certas características e nós temos de fornecer o que o cliente quer. O que manda aqui são as especificações de cada cliente e esse é o principal desafio.
A polpa de fruta está a crescer mais do que o tomate?
A polpa de fruta é um segmento estável e representa menos de 20% no mercado. Só nos dedicamos a este segmento no Chile.

Qual é a grande aposta do grupo para o curto/médio prazo?
A maior aposta é o que nos caracteriza desde sempre: investir na equipa, de maneira a que possamos fazer produtos de maior valor acrescentado. O objetivo é contribuir para a maior competitividade dos nossos clientes, através da melhoria da eficiência nos nossos processos.
Como tem sido o vosso plano de investimentos e que projetos nesse domínio para os próximos tempos?
Nos últimos dez anos o Sugal Group já investiu qualquer coisa como 160/170 milhões de euros. Isso significa que todos os anos investimos muito. Este ano, por exemplo, já fizemos um grande investimento no Chile, da ordem dos 20 milhões de euros. Estimamos por isso que não haja necessidade de fazer grandes investimentos por agora. As prioridades consistem mais em consolidar os últimos investimentos realizados do que avançar para novos negócios.
Como tem evoluído a contratação de pessoal? À medida que se expande a produção?
Sim. Nas três localizações onde temos operações, Portugal, Es-panha e Chile, temos à volta de 500 pessoas. Na altura das colheitas atingimos picos de 1500 pessoas.
A fábrica do Chile é a maior em polpa de fruta?
As unidades do Chile não são só a maior fábrica de polpa de fruta da América Latina mas também a maior fábrica de concentrado de tomate do hemisfério sul.
O Sugal Group continua a ser uma empresa de estrutura familiar apesar da sua dimensão cada vez mais internacional? Nunca houve interesse em alargar a estrutura acionista?
O Sugal Group pertence à minha família há mais de uma geração, com a visão do meu avô e do meu pai, que sempre apostaram e investiram no crescimento desta empresa. Estamos bastante confortáveis e não estamos à procura de novos investidores. A estrutura acionista é estável.
Quais as novas tendências neste mercado?
O nosso objetivo é produzir de forma sustentável do ponto de vista ambiental e para o consumidor.