Produção de colza depende de metas para o biodiesel

Política. Este ano foi suspensa a meta de incorporação do biodiesel no gasóleo, mas em 2018 o seu reforço aumentará a produção de colza

 

A produção de colza está a dar os primeiros passos em Portugal, depois de uma experiência falhada há uma década, e já duplicou a sua área de implantação de 2500 para 5 mil hectares nos últimos três anos.  Os produtores queixam-se, todavia,  de  ainda haver “pouco domínio técnico sobre o comportamento das variedades”.
Por essa razão, o presidente da ANPOC, José Palha, adianta que a está em ligação com a Universidade de Évora para fazer  ensaios que possam contribuir para melhorar a produção, qualidade e resistência das variedades.  Também o empresário Joaquim Banza referiu a necessidade de mais experimentação na colza, dando como exemplo o fato de este ano algumas variedades terem sido destruídas na sequência de ventos fortes enquanto  outras resistiram.
José Palha sublinhaque “a atividade agrícola é, de resto, cada vez mais tecnológica com níveis mais elevados de eficiência económica e ambiental”. Tal como está a suceder no girassol, o comprador da colza no mercado nacional é, mais uma vez, a Sovena.
Como lembra o produtor Joaquim Banza, “já houve tentativas de introduzir a colza há cerca de 10/15 anos mas com pouco sucesso”. Hoje em dia, diz,  a situação é diferente, com esta cultura a ser vantajosa e a permitir uma maior rotatividade dos solos e mais do que uma cultura por ano.
As opções dos agricultores vão variando muito em função dos preços no mercado mundial. “Embora as oleaginosas praticamente já não fizessem parte do panorama agrícola nacional, também no início dos anos 90 houve um ‘boom’ do girassol influenciado por um ciclo de subsídios comunitários a esta cultura”, recorda Luís Albuquerque.
Aquele responsável da Agrovete, que produz sementes de cereais e também representa  marcas de sementes de colza, não hesita em afirmar que “a cultura de colza tem bom potencial” em Portugal. Luís Albuquerque elogia mesmo a capacidade de adaptação  dos agricultores:“Os portugueses têm-se revelado dos melhores produtores do mundo, seja no tomate, no milho ou beterraba, só para citar alguns exemplos”.
Biodiesel e metas políticas
Relativamente à importância da colza, Teresa Abecasis diz que esta cultura está a ser fundamental para permitir a extração de óleos e para a produção de biodiesel, uma fonte renovável de combustível. Por outro lado, aquela responsável também refere que o futuro da colza está interligado com a produção de biodiesel e com os objetivos políticos relativamente aos combustíveis mais ecológicos.
“Este ano foi suspensa a meta de  aumentar a incorporação de biodiesel no gasóleo”, disse a diretora de operações da Sovena. Mas, em contrapartida, “para o ano está previsto um aumento da meta de incorporação do biodiesel, o que terá um impacto no aumento da produção de colza”, sustentou Teresa Abecasis.
Aquela responsável refere que desde 2012 a produção de colza segue regras de sustentabilidade muito restritas, sendo os produtores igualmente certificados do ponto de vista da sustentabilidade, tendo de cumprir uma série de requisitos. E acrescenta que esta cultura se tem revelado  boa para os solos.
A política de contratos plurianuais a preço garantido seguida pela Sovena tem sidomelhor sucedida em Portugal do que em Espanha, como apontou o empresário Luís Albuquerque. Segundo os produtores que participaram nas “Conversas Soltas”, tal circunstância está relacionada com o facto de, em regra, os agricultores espanhóis terem mais estruturas de armazenamento das suas produções, o que lhes permite fazer uma melhor gestão dos stocks do que os agricultores portugueses. Estes, ao contrário, por falta de condições de armazenamento, têm a preocupação imediata de vender após as colheitas.
Novos produtos de cereais
Sobre as perspetivas que se colocam às oleaginosas, a responsável da Sovena considera que o mercado está dependente do aumento da produção mundial, nomeadamente da evolução da cultura na região do Mar Negro, em especial na Ucrânia e na Rússia (ver texto ao lado).
A confirmar-se a tendência de reforço da produção e aumento dos stocks é expectável uma quebra de preços e consequente redução das rentabilidades aos preços de hoje.
Há, no entanto, a destacar o facto de “95% do girassol que produzimos em Portugal ser um girassol de melhor qualidade  que tem, por isso, um preço mais alto”, sustenta Teresa Abecasis.  E acrescenta “é um óleo mais resistente à fritura, tendo também um impacto ambiental mais positivo do que o óleo de palma, responsável por grandes áreas de deflorestação”.
Para além da nova aposta nas oleagionosas, os produtores de cereais estão a seguir a via dos cereais de qualidade, dando o exemplo do pão de cereais do Alentejo, que, segundo José Palha, está a ser um caso bem sucedido.
Outra alternativa  seguida pela Agro Vale Longo, de Joaquim Banza, é a exploração de nichos, como milho para pipocas ou a especialização em baby food, para alimentação infantil, explicou o empresário na última edição da Economia Ibérica dedicada ao setor agroalimentar, que será retomada a 26 de setembro.