Turismo tem 60 novas rotas aéreas e abre à China

Recorde. Ministro espera 19 milhões de turistas neste ano e assinala ressurgimento do investimento na indústria automóvel em Portugal

 

O ministro da Economia referiu  ontem novos trunfos para o crescimento do turismo. “Desde o início do ano, já abrimos quase 60 rotas aéreas e no próximo ano serão abertos novos voos para a China e os Estados Unidos”, revelou Manuel Caldeira Cabral, referindo-se à estratégia da TAP, sob nova liderança.

Considerando que Portugal e Espanha são concorrentes no turismo, mas complementares, o ministro sublinhou que o setor beneficiou de aspetos conjunturais, mas também de fatores estruturais, como a reestruturação da oferta, reforço da promoção e liberalização, que permitiu um novo tipo de investimento. Por outro lado, destacou a afirmação de Portugal no digital como crucial. Fatores conjugados que, ao que tudo aponta, contribuem para um total de 19 milhões de turistas até final do ano.

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Manuel Caldeira Cabral, ministro da Economia, encerrou a conferência com uma tónica no turismo

Falando no encerramento da conferência Economia Ibérica, Manuel Caldeira Cabral admitiu que para o crescimento registado em Portugal nos últimos meses contribuiu também a dinâmica da economia espanhola.

Noutras áreas de atividade, o ministro destacou o ressurgimento do investimento no setor automóvel, após uma década de estagnação – devido ao efeito do alargamento da UE a leste -, exemplificando com o  programado investimento de 150 milhões de euros na Renault, na Volkswagen, no próximo ano, e o reforço do investimento na Bosch, nos componentes de automóveis ou na Continental.

“Estamos a assistir a uma série de investimentos em diversas áreas da ordem dos dez, 15, 20 milhões de euros, o que é muito positivo”, considerou.

“Muito interessante” foi como Caldeira Cabral classificou o efeito de contágio de investimentos industriais em Marrocos, que estão a recorrer a fornecedores portugueses, por questões de qualidade e proximidade, como acontece, por exemplo, com a indústria de moldes. Ou também o efeito da Inditex, no têxtil nacional, criando uma dinâmica de resposta rápida e de “pequenas séries diversificadas”, que eram uma dificuldade dos ditos setores tradicionais portugueses.

“Depois de um ciclo de abrandamento económico estamos a verificar uma aceleração e esperamos que essa tendência se mantenha e inverta as previsões mais negativas”, disse o ministro. Caldeira Cabral não deixou de assinalar que o abrandamento foi em parte influenciado pelo arrefecimento de dois mercados importantes para as exportações portuguesas como Brasil e Angola, mercado em que o peso das exportações caiu para metade num ano. Mesmo assim, salientou, “estamos a redirecionar e continuamos a crescer”.

 

Texto: Carla Aguiar
Fotos: Nuno Pinto Fernandes / Global Imagens