Ucrânia ameaça mudar o jogo

Mercado O aumento da produção de girassol na região do Mar Negro faz pairar uma nuvem sobre a rentabilidade no futuro

A grande ameaça que se coloca  à  melhoria da rentabilidade  para os produtores que se dedicam ao girassol é o aumento da produção de girassol na região do Mar Negro, em especial na Ucrânia” considera a diretora de operações da Sovena, Teresa Abecasis.
Numa produção mundial total da ordem das 40 milhões de toneladas, só a Ucrânia é responsável por cerca de 14 milhões, influenciando fortemente o mercado mundial dos preços desta cultura. E dá-se a particularidade de a União Europeia ter deixado de fixar impostos à entrada dos óleos provenientes daquela região, numa estratégia de auxílio àquele país, o que retira competitividade à produção dos países da península ibérica.
Esta circunstância  geopolítica “está já a ter impacto em Espanha, país  onde se regista uma redução progressiva da área de plantação de girassol”, revelou aquela responsável, antecipando provavelmente quebras de rentabilidade.
Apesar daquele cenário, Teresa Abecasis sublinhou que “não quer dizer  que a Sovena desista da produção local de girassol: não só não queremos estar totalmente dependentes de sementes de importação como queremos continuar a contribuir para o desenvolvimento da economia local”.
Em todo o caso lembrou que não se pode escamotear a realidade: “há esta nuvem no horizonte” com origem na região do Mar Negro.
A dirigente da Sovena observou que, como grande empresa que opera à escala global, é imperioso estar permanentemente atenta ao que se passa no mundo, seja às mudanças políticas nos Estados Unidos e sua nova estratégia de comércio externo, à vraiação do euro-dólar ou aos relatórios de análise às produções das várias regiões.
E não são só os preços dos cereais, azeite e oleaginosas que a Sovena acompanha com regularidade, mas também os do petróleo. Não sem razão. Quando os preços do petróleo e dos combustíveis atingem níveis muito elevados, dá-se uma tendência, em certas regiões, para a sua substituição por óleos, o que aumenta a demanda e influencia os preços para cima. O inverso também é verdadeiro, tal como acontece no momento atual, com preços baixos nos óleos e no petróleo.